Pequeno e furioso, este Corsa carrega preparação de ponta feita pela customizadora alemã Spiess e motor de Fórmula 3 para embalar qualquer diversão no melhor do estilo racing europeu

Depois que o consagrado Opala deu lugar ao Omega, em 1992, foi a vez de o Corsa Wind marcar, em 1994, uma nova guinada da Chevrolet, entre os populares, segmento nascido com o Fiat Uno Mille em 1990.

Substituto do obsoleto Chevette Junior, o Wind (“vento” em inglês) chegou a ter, à época, 130 mil nomes de compradores na lista de espera. O Corsa ainda resiste ao tempo e não é difícil encontrar algum modelo rodando pelas ruas brasileiras, a maioria com marcas expressivas de uso, outros em bom estado de conservação.

Leonardo Pinheiro Perez, 34 anos, autônomo de Brasília (DF), é um dos milhares de brasileiros que ainda convivem com o “Corsinha”, mas o que faz dele um proprietário especial é a identidade alemã implantada em seu “popular”.

“Comprei o carro no final de 2011 e o escolhi por ser um modelo bem leve, com peças baratas e fáceis de achar, além disso, poderia aproveitar o desenvolvimento de pista que já havia para o carro, que é usado nos campeonatos regionais de Marcas e Pilotos”, conta.

Leonardo adora automóveis desde a infância, quando viu pela primeira vez uma fotografia do pai com um Maverick de competição nas 1000 Milhas de Brasília, em 1974, ano de inauguração do autódromo.

A ligação afetiva, as miniaturas de carrinhos e, claro, o videogame, moldaram o gosto do entusiasta. “Essa fotografia do meu pai ficava na parede da casa de minha mãe e atualmente tenho ela em meu escritório.

Meu pai não gostava de falar muito do assunto, porém sempre escutei histórias de como ele era bom e rápido e tive a vontade de fazer algo parecido”, descreve.

A cor azul escolhida para o Corsa foi intencional, bem como a aplicação do numeral 9 – são uma homenagem ao pai de Leonardo, que faleceu em 2009, antes de ele seguir no meio das competições automotivas.

“Infelizmente não tive oportunidade de viver o automobilismo quando criança e adolescente e só comecei a pilotar de uns anos para cá, mesmo assim em uma das categorias mais baratas e acessíveis que existe, que é o Track Day”, explica.

Com a ideia de conceber um carro de corrida, Leonardo havia decidido que o Corsa teria aparência de um carro de rua.

Mas sua última prova de Track Day o fez mudar a estética do modelo – adotando uma linha mais racing.

“O visual estava muito simples e então optei por mudar, acabei enjoando daquele antigo layout. Já era fã de longa data da Red Bull Racing, tenho coleção de boné deles e sempre acompanho as notícias da equipe, como meu carro era azul, acabei unindo o útil ao agradável, mandei fazer os adesivos e acho que ficou bem legal”, pontua.

DNA recodificado

O visual do Corsa instigou Leonardo a mudar o próprio pensamento. “O que era uma mera brincadeira acabou se tornando algo sério, botei na cabeça que meu carro é um carro de corrida, e que eu deveria me portar como piloto, e por isso o visual acompanhou esse meu pensamento.

Para quem gosta de pista, em suas diversas possibilidades para nós, amadores, como arrancada e Track Day, vale a pena modificar um carro original, acho que principalmente no tocante ao chão e freios, por último o motor.

Digo isso porque você é forçado a desenvolver sua pilotagem para poder baixar tempo, não dependendo somente de um motor potente”, define.

Apesar de não idolatrar, em um primeiro momento, a mecânica para o Corsa, Leonardo optou pela escolha de um bloco C20XE preparado na Alemanha pela Spiess, consagrada customizadora racing.

A fórmula 3, categoria que originou o motor do Corsa, usa motores 2.0 aspirados derivados de motores de carros de linha de produção e, nesse caso, o bloco e motor são os mesmos de um Calibra ou Vectra GSI.

O motor já veio pronto para o Brasil, porém alterado para aumentar a potência e durabilidade, usando comandos de 310° e bielas inglesas, da SBD, e pistões Omega Pistons.

Completam o conjunto um sistema de cárter seco da SBD, coletor de escape argentino da Conforma Inox, coletor de admissão Spiess, injeção de corrida Magneti Marelli EDL 8, atualmente usada na Fórmula 3, freios com pinças Willwood nas quatro rodas, discos flutuantes de 288 mm na dianteira, pedaleira de corrida Tilton, sem auxílio de hidrovácuo, e linha de freio feita em aeroquip.

A suspensão é basicamente a mesma implantada nos Corsas de competição: amortecedores projetados por José Daniel Gonzalez, da Tecnomotor, que também fornece para a categoria Marcas e Pilotos, e molas RedCoil – com diversas opções de cargas para testar na pista.

O interior foi completamente depenado para favorecer o alívio de peso. Foram descartados o painel original, vidros laterais e traseiros – trocados por estruturas de policarbonato –, e as portas, que foram recortadas e receberam também algumas peças de fibra de carbono.

Os bancos são do tipo concha e mantêm cintos de segurança Sparco com quatro pontos de fixação, para piloto e passageiro. Há ainda a instalação de um rollcage de oito pontos que garante a segurança da cabine.

Por fora, a estética mesclou a adesivagem Red Bull Racing com a pintura em azul escuro. As rodas Enkei RPF1, 4×100, 15/7” são calçadas em pneus slick da extinta Copa Clio, medida 185/565 R15, mas agora Leonardo está testando o Yokohama Advan Neova, medida 195/50.

“Meu carro carrega um caso complicado, temos muitos problemas sempre que andamos, devido a ser um projeto bem extremo, porém apesar disso sempre andamos bem, na frente de diversos carros mais fortes e melhores de pista. Sou amador, mas busco sempre melhorar minha habilidade e aumentar minha coragem. Como estou sempre baixando meu tempo, o melhor Track Day é sempre o último, com motor prestes a quebrar e usando pneus radiais fiz o meu melhor tempo em Goiânia no mês de setembro, 1:41.9”, detalha.

O Corsa é um carro de uso exclusivo para as pistas, uma vez que Leonardo utiliza no dia a dia os modelos Ford Ranger e Chevrolet Astra.

Dos tempos em que o Wind mantinha o motor derivado do 1.2 europeu e munido de injeção eletrônica monoponto, o 1.0 EFI que produzia 50 cv deixou essa história para trás ao assumir uma vocação mais nervosa nas mãos de Leonardo.

“Não estou competindo com ninguém, o único rival que tenho em pista e que quero superar sou eu mesmo. Hoje em dia dou o maior valor para quem faz mais com menos, e independente de qualquer coisa, consegue se divertir e curtir com os amigos. É isso o que importa”, conclui o piloto de Track Day.

FICHA TÉCNICA

Corsa Wind 1999 Spiess

Mecânica

Bloco 2.0 aspirado C20XE preparado na Alemanha pela Spiess; comandos de 310°, bielas inglesas da SBD, pistões ingleses Omega Pistons; sistema de cárter seco da SBD, coletor de escape argentino da Conforma Inox, coletor de admissão Spiess, injeção de corrida Magneti Marelli EDL 8;

Estrutura/interior

Amortecedores projetados por José Daniel Gonzalez da Tecnomotor; molas RedCoil, rollcage de oito pontos; freios com pinças Willwood nas quatro rodas, discos flutuantes de 288 mm na dianteira, pedaleira de corrida Tilton, sem auxílio de hidrovácuo, e linha de freio feita em aeroquip; interior aliviado com fibra de carbono e policarbonato, cintos Sparco com quatro pontos de fixação e bancos concha;

Exterior

Rodas Enkei RPF1, 4×100, 15/7”, pneus Yokohama Advan Neova, medida 195/50, adesivagem Red Bull Racing e pintura azul escuro;

Quem fez?

Retrabalho de motor – Spiess www.spiess-motorenbau.de;

L&L Motorsport – (61) 9304-0979;

Automec Regulagem Ltda – (61) 3347-9763.

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