Texto e fotos: Bruno Bocchini

A Citroën aproveitou o crescente cenário de SUV’s no Brasil para reestilizar o Aircross, monovolume “familiar” que atualmente figura entre modelos compactos e minivans. A regra é clara: quem não se prepara diante das exigências do consumidor pode ficar para trás. Dentre as mudanças do novo modelo francês destacam-se a central multimídia com tela tátil de 7 polegadas e função de espelhamento de celulares (item de série apenas na versão Shine), e a nova grade frontal (que atribuiu mais “corpo” às saídas de lanterna).

Para a linha 2016, o “sobrevivente” Aircross parte de R$ 49.990 na configuração sem estepe externo (versão 1.5 Manual Start). De acordo com a fabricante, 70% das vendas continuarão a se concentrar nas três versões com pneu reserva pendurado à tampa do porta-malas. Car Stereo avaliou a versão 1.6 Auto Shine, R$ 69.290, a mais cara de toda a gama.

Com a configuração 1.6 e transmissão automática há, claramente, uma primeira alteração perceptível: a Citroën recalibrou a caixa de quatro velocidades, reduzindo sensivelmente os trancos e “rugidos” do motor nas reduções e retomadas. O problema é que, com as rotações limitadas pelo baixo número de marchas, o câmbio fica com “espaços” que prejudicam, por exemplo, o uso de freio-motor em rotação adequada.

Produzido em Porto Real (RJ), o Aircross agora conta com direção elétrica de série, câmera de ré, indicador de mudança de marchas e paddle shifts para troca de marchas ao volante. Para alguns pode parecer estranho o uso de “borboletas” para trocar marchas com um câmbio automático “obsoleto”, mas na estrada reduzir em entradas de curvas com o recurso facilita, sobretudo, pela ergonomia ao dirigir. Só não conte com fortes emoções, a aventura a bordo do Aircross é outra.

O modelo está mais alto em relação ao solo (12,9 cm), o que significa maiores ângulos de ataque (23 graus) e saída (29,3 graus). Com suspensões retrabalhadas, o conforto aumentou, inclusive para leves incursões em trechos de terra. Por outro lado, aerodinâmica e rigidez em curvas seguem ruins, acentuadas pela ausência do controle de estabilidade.

Há ainda novas molduras de caixas de roda – aro 16″ redesenhadas – e grafismo lateral com a nova tipologia da Citroën. Outro destaque são as barras de teto inéditas no modelo, lanternas traseiras com máscara negra e para-choque atualizado com luzes de neblina. Contudo, acessar o porta-malas ainda incomoda: é preciso destravar o acessório do estepe por meio de um botão na chave canivete, só então soltar o travão e abrir a tampa. Para quem carrega bagagens mais “encorpadas”, outro fator que atrapalha é o “degrau” que fica entre o fundo do porta-malas e os bancos rebatidos.

Brilho interior?

A central multimídia com tela tátil de 7 polegadas e função de espelhamento de smartphones agrada pela praticidade, tanto pelos comandos intuitivos quanto pelos gráficos, inclusive do navegador GPS. Os botões são leves e o posicionamento à esquerda próximo à altura do volante facilita o motorista – principalmente para aqueles que se incomodam ao utilizar a aleta seletora de volume e troca de faixas localizada abaixo da haste do limpador de para-brisa. O sistema de som parece ajustado, quando o usuário regula por meio da central a intensidade de graves, agudos e balanços. Mas basta aumentar o volume e deixar “invadir” sinais de Bass para perceber que os falantes não suportam a “brincadeira sonora” – uma alternativa também seria instalar um amplificador com entradas RCA. A distorção incomoda, porém, não agride os ouvidos: em nossos testes com o decibelímetro o pico foi de 94.7db.

Diante do bom espaço interno, conforto (sobretudo na versão Shine com bancos em couro e outros tecidos), acabamento das portas e painel e conectividade, o novo Aircross está alinhado às novidades do mercado. Mas câmbio e conjunto de suspensão estão ultrapassados. Por esses motivos e diante do preço, R$ 69,290 – a Citroën enfrenta uma missão difícil diante de rivais, ainda que distantes, como Honda HR-V ou até mesmo Jeep Renegade.

CITROËN AIRCROSS AUTO SHINE

Preço: R$ 69,290;

O que vale?

Novo desenho, visibilidade, conforto, central multimídia, barras do teto, lanternas traseiras com máscara negra e motor

O que não vale?

Câmbio (para a versão Shine), preço (diante dos rivais), consumo (com gasolina o modelo registrou 6,5 km/l), acesso ao porta-malas e estepe aparente.

 

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