Texto e fotos: Bruno Bocchini

Já foi o tempo que picape servia apenas para quem queria carregar carga. A Toyota, com o famoso modelo Hilux, sempre carregou a fama de “inquebrável”. Por outro lado devia em inovações – e os consumidores (principalmente os filhos de pais que curtem esse tipo de automóvel) começaram a migrar para o segmento de SUV’s –  buscando, além de conforto e boa mecânica, tecnologia.

Os japoneses deviam. Não devem mais. A nova geração da picape Toyota, apesar de cara, atrai mais olhares. Há ar-condicionado digital, banco com ajuste elétrico para o motorista, revestimentos de couro, central multimídia com GPS, entrada e partida sem chave, porta-luvas refrigerado, entre outros. A segurança é reforçada por airbags laterais, de cortina e para os joelhos do motorista, além de faróis de xenônio, câmera de ré e cintos e encostos de cabeça para todos os ocupantes. O volante, multifuncional e macio, permite controlar ligações telefônicas e o sistema multimídia – mas a caixa hidráulica fica devendo diante de rivais que já utilizam direção elétrica.

Apesar de contar com uma cabine mais harmoniosa, a central sofre em comandos. Além de ser difícil parear alguns celulares, o dispositivo não é intuitivo e pune o usuário com submenus dispensáveis – basta tocar a tela para perceber a lentidão em alguns momentos, falta calibrar o sistema para deixá-lo mais veloz. Em contrapartida, para quem gosta de ouvir uma boa música, por meio da tela de 7″ (que lembra um iPad embutido) é possível controlar os comandos sonoros e balancear graves, médios e agudos de maneira que os passageiros e condutor possam escolher a melhor direção – na frente da cabine, distribuição central ou atrás.

Assistir a TV ou navegar pelo GPS são ações tranquilas diante da nova central. Os mapas contam com boas indicações e comandos facilitados – mas não vá achando que você não irá se perder diante das configurações: é preciso um pouco de treino para usar os recursos no dia a dia.

A evolução em espaço interno também é um ponto a mais. É possível levar pessoas de até 1,84 metro atrás mesmo com os bancos dianteiros ajustados para ocupantes da mesma estatura. O limite está mais na altura do que no vão para as pernas, incomodando apenas se você estiver no banco central, onde o formato do assento e a intrusão do console atrapalham a experiência para pessoas mais altas. Mesmo que o encosto do banco traseiro não seja tão reclinado quanto em um carro de passeio, o ângulo mais reto não chega a incomodar.

Embora seja rígido, o material usado nas portas e painel apela para uma costura pespontada falsa para dar a impressão de couro. Para uma picape que sai pelo preço do sedã Camry, a falta de alguns itens sugere economia por parte da montadora. Acessórios como capota marítima e protetor de caçamba deveriam vir de série na versão, enquanto a comodidade agradeceria “mimos” simples como retrovisor interno fotocrômico.

Car Stereo avaliou a versão topo de linha, a SRX, que custa a partir de R$ 180 mil. Robusta, a nova geração da Hilux mantém a força necessária para agradar quem precisa de um veículo de porte em regiões de terrenos mais severos. São 177 cv de potência na versão 2.8 turbodiesel, além da tração integral 4×4. Parruda, a picape tem 5,33 metros de comprimento por 1,85 m de largura e 1,81m de altura.

Dirigir sobre rodas de 18 polegadas indica facilidade ao conduzir o modelo. Há ainda duas formas de direção: a Power, mais agressiva, ou Eco, mais econômica, sem sobressaltos de rotação por minuto. Equipada com câmbio automático de seis marchas praticamente imperceptíveis em suas trocas, a Hilux registrou média de 9,0 km/l, em trecho urbano e 10,5 km/l em rodovias.

Pode parecer muito difícil imaginar que o modelo tenha boas vendas, porém a aceitação no mercado da Hilux e o pós-venda da Toyota facilitam na argumentação. É a velha filosofia: “quem compra um Toyota nunca deixa a marca”. Para uma picape com mais de dez anos de mercado, o eventual aumento é até justificado, levando-se em consideração a criação de uma nova versão top SRX.

TOYOTA HILUX SRX

Preço: R$ 188 mil

Vale: mecânica, câmbio, conforto, design, sistema de som, consumo, capacidade de carga, espaço interno, ergonomia e suspensão

Não vale: direção hidráulica (merecia uma elétrica), falta de retrovisor interno fotocrômico e central multimídia lenta.

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