Texto e fotos: Bruno Bocchini

Já virou regra: não são apenas design ou economia critérios para comprar um automóvel. Há, sobretudo, sede por tecnologia. No caso dos hatchs nacionais, basta notar o líder, Chevrolet Onix: a central MyLink é um dos pontos que fizeram a diferença para o consumidor. Para voltar a se destacar em um segmento cada vez mais conectado, o Gol investiu na eletrônica e, de quebra, em motorização e estilo.

A Volkswagen tentou deixar o modelo mais europeu, não apenas com a aplicação do novo painel (mais refinado para um carro 1.0), mas também por aplicar elementos que lembram o Polo vendido no exterior: traseira levemente redesenhada é um dos exemplos. E os faróis, antes de dupla parábola, passaram a ser simples.

No interior o Gol faz uma imitação convincente do Golf, com central eletrônica semelhante e até volante igual – ainda que simplificado em alguns recursos. O grande destaque é, de fato, o recente sistema de infotainment App-Connect, que permite o espelhamento de smartphone na tela sensível ao toque com as plataformas MirrorLink, Apple CarPlay e Google Android Auto. Os sistemas de infotainment têm telas coloridas de alta definição com 6,33 polegadas, que proporcionam boa visualização e interatividade, além de leitura de mensagens de texto (SMS) do celular por meio dos alto-falantes. E mais: é possível responder por meio de comando de voz a mensagem, que é enviada em formato SMS. O App-Connect permite ainda parear via Bluetooth dois celulares simultaneamente – (para saber mais sobre o sistema veja o teste completo da central em nosso site e procure por ‘infotainment Gol’).

A versão avaliada por Car Stereo já contava com itens tidos como opcionais livres, entre eles, o dock station – que cabe no bolso de todos. Por R$ 290 o consumidor pode levar o suporte para smartphones (que é aplicado acima da central multimídia). De série, o som Media de dupla bandeja é competente, repleto de entradas auxiliares e de fácil utilização. Mas as centrais multimídia são chamarizes quase que indispensáveis. Até porque, no Comfortline, o sistema Composition Touch sai por mais convidativos R$ 1.100, contra R$ 1.755 cobrados no Trendline de entrada.

Em resumo: quem entra no novo Gol não tem a sensação de estar em um carro básico quando observa o painel e volante reestilizados, por outro lado, é só olhar para o acabamento das portas e trilhos aparentes dos bancos para perceber que se trata de um hatch simplório. O porta-malas é outro exemplo de simplicidade: além da tampa abrir em altura elevada, há pouco material de proteção da lataria interna (com o tempo de uso o desgaste é inevitável).

Motor é cinco estrelas

Se você se empolgou com o up! TSI, terá que esperar mais pelo Gol GT 1.0 TSI. O novo motor EA111 1.0 de três cilindros do up! chegou apenas na versão aspirada MPI, sem turbo ou injeção direta. O antigo TEC 1.0 gerava 72/76 cv a 5.250 rpm e 9,7/10,6 kgfm a 3.850 rpm, números que foram ampliados a 75/82 cv a 6.250 rpm e 9,7/10,4 kgfm entre 3.000 e 3.800 rpm no EA211 1.0.

O três cilindros tem resposta bem mais linear e sobe de giro com vontade acima das 2.000 rpm. Aliás, as trocas de marcha são curtas e “casam” bem com a proposta do motor em trabalhar com giros mais elevados. Na prática, é difícil notar que não há mais um motor de quatro cilindros sob o capô do Gol. O tricilíndrico recebeu dimensionamento do coxim hidráulico para segurar bem as vibrações, que não são repassadas ao volante ou alavanca de câmbio. A suavidade impera até na hora da partida, que dispensa tanquinho. E o consumo pode chegar a 14 km/l na versão 1.0 manual com gasolina e 11 km/l na versão I-motion com bloco 1.6 (ambas em trechos urbanos).

Para a versão equipada com câmbio I-motion de cinco velocidades e motor de bloco 1.6 também não há tantos problemas quanto o modelo antigo. Usando o tiptronic as trocas não são “chatas” como antigamente em que o motorista e passageiros sentiam engasgos nos espaçamentos. Ainda há incômodo se o condutor optar por deixar a alavanca em modo drive (mas é sempre, claro, uma questão de costume, já que esse sistema não é uma transmissão automática e, portanto, merece outra forma de dirigir). Com o carro equipado via I-motion é preciso aliviar um pouco o pé do acelerador ao perceber o giro ideal para a troca de marcha e, mais ainda, em subidas mais íngremes, atuar com o freio de mão nas saídas – porque o carro irá descer e não haverá pedal de embreagem para controlá-lo.

Fora os macetes, a posição de sentar é mais baixa do que em rivais como o Onix e Hyundai HB20. A direção fica bem posicionada, ainda que o ajuste de altura e de profundidade pudesse ser de série na versão Comfortline testada. Como o Gol é um carro que já está no mercado desde 2008, a Volkswagen conseguiu estabelecer neste modelo 2017 uma relação custo x benefício aprimorada. O fato é que não há no mercado um hatch compacto, com mecânica moderna e eficiente, com um pacote completo como esse, por menos de R$ 50 mil reais. Vale a ideia de que carro popular está cada vez mais distante de um preço popular. Por outro lado, é o valor que se paga pela tecnologia.

Preços e versões

Gol Trendline 1.0: R$ 34.890; Gol Trendline 1.0 com ar/dir/conjunto elétrico: R$ 37.690;

Gol Trendline 1.6: R$ 40.190; Gol Comfortline 1.0: R$ 42.690;

Gol Comfortline 1.6: R$ 47.490; Gol Comfortline 1.6 I-Motion: R$ 50.790;

Gol Highline 1.6: R$ 51.990; Gol Highline 1.6 I-Motion: R$ 55.290.

Vale

Motor, novo painel, volante multifuncional com base achatada, posição de dirigir, espaço do porta-malas e central multimídia completa e de fácil manuseio;

Não vale

Acabamento das portas, acabamento do porta-malas sem forração suficiente, trilhos dos bancos visíveis e fechamento das portas (tradicional problema do modelo) que “teimam” em não travar “de primeira”.

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