GTI esbanja 260 cv com 1,5 bar de pressão de turbina e câmbio manual: espírito alemão para rodar ao estilo urbano

Não é recente a influência da eletrônica para o aprimoramento dos automóveis. Em 1976, na primeira geração, o Golf GTI já era considerado um carro inovador.

O modelo surgiu em um período em que a indústria apoiava mais projetos ao meio ambiente e revelava um dos primeiros sistemas de injeção eletrônica, em substituição ao carburador – dispositivo apresentado apenas em veículos mais caros, como Ferrari, BMW e Mercedes.

Os freios ABS, por exemplo, surgiram em 1978 trazendo como benefício a redução das distâncias de parada e, principalmente, a manutenção do controle direcional durante uma frenagem. Entre esses e outros motivos, o Golf GTI faz a cabeça de entusiastas.

Rodrigo Zanotto, 26 anos, gerente comercial e educador físico de São Bernardo do Campo (SP), já arriscou carros da Peugeot, Ford, Chevrolet e garante: nenhum se compara ao Volkswagen Golf GTI.

“Só vendo meu Golf se for para comprar o novo GTI, é assim. Não tenho o que reclamar desse carro”, garante.

Proprietário de uma loja de suplementos alimentares, Rodrigo está acostumado a lidar com aparências.

Assim como os clientes, ele investe pesado nos cuidados com o corpo e impõe ritmo parecido com a atenção ao Golf. Basta perguntar a qualquer proprietário do modelo Volkswagen para concretizar: você pode até ouvir algumas reclamações, mas prepare-se para um discurso mais que favorável.

No Golf é o estilo quem manda e Rodrigo parece saber suplementar seu GTI. “Comprei esse Golf neste ano e de cara decidi fazer upgrade de turbo, bicos injetores, escapamento e instrumentos. Sou apaixonado por carro turbo, gosto da força e imponência que apresenta”, exibe.

Esse não é o primeiro Golf de Rodrigo. Por ele já passaram outros dois, um GTI 2002 e outro 2004 com 180 cv, que havia recebido calibração do chip de potência.

“Sempre quis ter Golf, desde criança. Meu primeiro carro foi um Chevette 1993, depois de um ano decidi junto com meu pai montar um motor 4cc de Opala, 2.5L e câmbio modificado. Mas não teve jeito, o Golf está no coração”, pontua.

Na ponta do lápis, a conta de Rodrigo fecha assim: seu atual Golf GTI garante 145 cavalos a mais do que o mesmo modelo original de 1994, e 40 cavalos a mais que o GTI lançado neste ano pela Volkswagen.

Nada mal para um carro de rua, garante o preparador e responsável pelo projeto de retrabalho do Golf, Armando Gioia, da Agtechnik.

“Ainda vamos trabalhar nesse Golf, mas para rodar na rua o carro está bacana. O Rodrigo já comentou que pensa em colocar um turbo maior, intercooler e forjar. Por enquanto o Golf responde bem para o que é exigido dele”, explica.

Turbo espirrando recalque

As alterações mecânicas do Golf GTI de Rodrigo foram pensadas para adequar o câmbio manual.

“Eu não queria com câmbio tiptronic, e está difícil encontrar um Golf sem esse câmbio. Por isso, quando vi esse com manual, quis comprar logo”, avalia o proprietário.

O motor dianteiro, transversal, 1.8 litro, 4 cilindros em linha e 20 válvulas é alimentado por gasolina.

O preparador Armando Gioia fez uma receita simples e colocou uma turbina com maior diâmetro, modelo K04-001 – também muito utilizada em modelos Audi A3 -, com pressão de 1.5 bar.

Também foi aplicada uma Inlet-hose Samco (conhecida pelos apaixonados por Subaru), mangueira de entrada que ajuda o turbo para obter melhor rendimento e permitir maior fluxo de ar no sistema.

E, por fim, a reprogramação da central eletrônica e instalação do escapamento Downpipe em inox, que permite encaminhar os gases do resultado da combustão para fora do Golf com mais intensidade.

“Gostei dessa mecânica, o carro é muito esperto e como só estou com esse, uso para ir trabalhar e aos finais de semana. É meu carro do dia-a-dia e acho que essa receita, mesmo simples, possibilitou um avanço bacana”, comenta Rodrigo.

Por enquanto os investimentos de Rodrigo se concentram na mecânica do GTI, mas ele garante que pensa em implantar também um sistema de som para coroar o Golf. O problema é que, com o espirro da turbina, fica difícil querer ouvir música. Mas essa é outra história, para outros ouvidos.

Quem fez?

Armando Gioia, Agtechnik

Tel.: (11) 3427-1361

Motor

Dianteiro, transversal, 1.8 litro, 4 cilindros em linha e 20 válvulas. Potência estimada: 260 cv; pressão de turbo: 1,5 bar. Comando de válvulas: duplo no cabeçote. Válvulas por cilindro: 5, diâmetro dos

cilindros: 81 mm. Taxa de compressão : 9,5:1. Curso dos pistões: 86,4 mm.

Transmissão

Tração Dianteira. Câmbio: manual de 5 marchas. Embreagem: monodisco a seco.

Alimentação

Turbina K04-001 com sistema de mangueira

Inlet-hose Samco. Escapamento Downpipe em inox. Bicos injetores de 60lb/h. Combustível: gasolina.

Suspensão

Dianteira: independente, McPherson;

traseira: eixo de torção.

Freios

Dianteiros: disco ventilado; traseiros: disco sólido.

Interior

Original com adição de instrumentos ODG e SKL.

Exterior

Rodas alemãs Volkswagen aro 18.

*Texto publicado na edição 182

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