O impossível é só questão de opinião e este customizador provou que é perfeitamente possível ter um carro turbo com suspensão a ar sem perder confiabilidade e desempenho

O veículo que protagoniza esta reportagem, um Fusca 1970, tem vários atributos que justificam o espaço aberto ao seu customizador na Car Stereo.

Ele utiliza suspensão a ar, possui rodas aro 20”, é turbo e tem mais de 300hp no motor Boxer refrigerado a ar de 1.900 cilindradas. Difícil assimilar as informações? Tenha calma e atente-se aos detalhes descritos neste texto.

Este é um dos poucos projetos no Brasil que aliam performance e suspensão a ar, além das rodas gigantes para o pequeno besouro, que costumam ser mal vistas por alguns entusiastas da performance.

Mas foi justamente essas ideias conflitantes que atraíram o proprietário e customizador deste “besouro” a estudar mais sobre as ideias que tinha em mente.

“Meu pai tem este mesmo Fusca desde quando nasci. Era o carro da família, viajávamos e passeávamos nele. Foi uma grande surpresa quando meu velho deu as chaves dele para mim, quando completei 18 anos. Desde então, as modificações e melhorias não param”, conta Francis Ribeiro, 32 anos, diretor da CF Customização, empresa situada na cidade de Jundiaí (SP).

No limits!

As inspirações eram muitas, mas as principais vinham de fora do Brasil. Francis se apaixonou pelos Fuscas de arrancada montados nos EUA e juntou sua ideia, de deixar o motor turbo exposto, com a vontade “tipicamente brasileira” de andar baixo, o mais próximo possível do chão.

Tudo foi montado aos poucos, depois de muita pesquisa. “Eu o mantive original por um tempo, mas como a pintura branca estava bem queimada e havia alguns “podres” na lataria, decidi reformá-lo por completo e pintar de outra cor. Resolvi que este seria um carro que iria mostrar todo o trabalho que fazemos na CF Customização. Desde a parte de pintura até os acabamentos do motor, tapeçaria e instalação dos acessórios”, conta o proprietário. “Por isso teria de chamar a atenção e chocar desde os leigos até os mais experientes, quando o assunto é customização automotiva”, finaliza.

Para isso, Francis não economizou em ousadia. Repare nos detalhes únicos deste besouro: no lugar dos para-choques, T-Bars fabricadas pela própria CF, assim como as “soleiras” laterais na cor da carroceria.

As rodas de 20” são engolidas pelos para-lamas com um simples toque no botão do celular, através de um aplicativo desenvolvido pela Castor Suspensões, que permite movimentos independentes (dependendo do modelo da suspensão) em cada bolsa e uma regulagem minuciosa.

Aliás, todo o conjunto de suspensão foi desenvolvido pela Castor. No kit foram utilizados oito solenóides de meia polegada, além de cilindro e compressor, tudo projetado pela Castor para que o Fusca pudesse acelerar forte sem riscos para a suspensão.

“Andei muito tempo com a suspensão original rebaixada com catraca e, por incrível que pareça, o carro ficou muito mais seguro e estável com a atual configuração”, diz Francis.

Na parte mecânica, foram longos meses até que todo o conjunto fosse montado e acertado pela Rica Power Preparações, que executou um serviço com um acabamento pouco visto em terras tupiniquins.

O motor VW Boxer refrigerado a ar de 1.900cc recebeu pistões Mahle, além das bielas forjadas Scat e virabrequim forjado EMPI.

Os cabeçotes foram retrabalhados pela Paula Faria e trabalham em conjunto com o comando de válvulas Engle TCS 20.

A marcha lenta fica razoavelmente embaralhada, mas, em compensação, o motor consegue atingir até 6.500RPM sem dificuldades.

Na admissão, o carburador deu lugar ao sistema de injeção eletrônica gerenciado pelo módulo Pandoo. A sobrealimentação, por sua vez, é composta pelo turbocompressor de conjunto híbrido desenvolvido pela Tecturbos, com caixa quente .48 e fria 70.

A pressão do turbo é uma só: 1,7bar, “no pé”! “Muita gente já me perguntou se não quebro muitos câmbios, por conta da pressão e das rodas aro 20”.

Respondo que, até o momento, quebrei cinco pontas de eixo e um câmbio. O grande problema não está nas rodas, mas na forma que você usa o carro e como costuma arrancar com ele, quando quer dar uma “puxadinha”. Tem de sair “na manha” e depois afundar o pé!”, revela.

No cockpit do Fusca, que segue a linha de capricho do motor e da parte externa, destaque para a instrumentação composta por manômetros Orlan Robber e contagiros AutoMeter Playback, além dos bancos concha customizados pela CF e cintos Sparco de quatro pontas.

Carro baixo, som alto!

E se você, leitor, ainda está se perguntando por que um carro com ênfase na parte mecânica recebeu tanto espaço na sua revista de som automotivo, a resposta vem a seguir.

O Fusca de Francis recebeu da Cube Sound Experience um projeto exclexterna_fusca-7usivo. “Pensando em um projeto único, criamos para a CF Customização algo de qualidade sonora inigualável, com produtos nacionais de ótima qualidade e exaltando ainda mais a paixão da CF por esse carro, que há tanto tempo acompanha a empresa.

Estamos falando de uma história de mais de 30 anos de amor e investimento”, resume Eduardo Henrique de Oliveira, responsável pelo projeto e pela execução do sistema.

O projeto é capitaneado por uma central double din da Pioneer, modelo AVH 1450DVD. O estéreo é reproduzido por kits duas vias Bravox de 6” instalados abaixo do painel dianteiro, em pezinhos de fibra, para a obtenção de médios e médio-graves, com os tweeters acima do painel, direcionados ao motorista.

Na traseira, kits duas vias Bravox de 6” foram instalados nas extremidades do vidro traseiro em pezinhos de fibra, com os tweeters ao lado direcionados em X.

Esses falantes são alimentados por um amplificador Hurricane 120.4, sendo que cada falante do kit foi ligado a um canal separado do módulo. Os graves são garantidos por quatro subwoofers Bravox New UXP Power de 12”, alimentados por ampli  Hurricane H1 480.4 mono.

Cada sub foi ligado separadamente em cada canal do módulo. Eduardo utilizou cabos RCA Taramp’s. Duas baterias Automax garantem a energia necessária para a diversão.

Os subs ocupam caixas seladas de madeira e fibra, instaladas na lateral do carro, que perdeu os bancos traseiros.

Cada caixa abriga dois subwoofers, com divisão entre eles. Para o acabamento foi utilizado couro bege e carpete resinado na cor caramelo. Segundo o instalador, a projeto garante alta qualidade e fidelidade de respostas, tornando-o assim um projeto para som interno, com subgraves fortes e voz destacada, assim como cada instrumento da banda, com sensação de palco elevada.

“Não posso dizer que o carro está pronto, mas com certeza estou muito satisfeito com sua atual fase. Só iremos melhorar o que já temos, sem grandes mudanças na parte estética e na mecânica, afinal, a ideia é continuar preservando este VW na minha família. Se depender de mim, estará sempre em boa forma! Pelo menos aos meus olhos”, explica o feliz proprietário deste VW ’70. Aliás, quem precisa estar mais contente com este projeto do que o seu próprio dono e customizador?

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