Texto: Renato Aspromonte – Autopolis 
Fotos: Audi Divulgação e Renato Aspromonte

Um convite inusitado chega à nossa caixa de e-mail: conhecer e acelerar os novos Audi RS3 e TTS no lendário Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Tudo pareceria normal para o lançamento de dois novos esportivos se não fosse o horário: durante a noite. Se no começo da “brincadeira” o medo predominava, no final isso mudou. Pena que passou rápido – literalmente.

Audi RS3 Sportback – A “parada” é sinistra

Lançado oficialmente há alguns dias, o Audi RS3 Sportback ganhou novos para-choques dianteiros, que dão destaque às grandes aberturas cortadas por frisos em alumínio, além da grade com trama de colmeia. O destaque fica para a inscrição “quattro” na parte inferior central e para os faróis full LED. Na traseira, há um novo aerofólio e para-choque redesenhado, que abriga, além do difusor de ar na parte inferior, as grandes (e belas) saídas de escape. Nas laterais, destaque para as rodas de alúminio de 19 polegadas calçadas com pneus 235/35.

Por dentro as novidades seguem o padrão de esportividade da marca. O acabamento mescla fibra de carbono, alumínio, plásticos emborrachados e couro. O volante esportivo é multifuncional e tem aletas para trocas de marcha manuais. Os bancos são revestidos em couro Nappa e têm formato esportivo, daqueles que “abraçam” os ocupantes dianteiros.

Todas essas novidades não fariam sentido se por debaixo do capô não estivesse um poderoso motor de cinco cilindros. O novo RS3 é equipado com um 2.5 TFSi de cinco cilindros capaz de desenvolver 367 cv de potência e torque de 47 kgfm. Para aguentar toda essa brutalidade, a Audi desenvolveu especialmente para ele um novo câmbio S-Tronic de 7 velocidades que busca maior rendimento. Prova disso é a marca de 0 a 100km/h, em apenas 4,3 segundos (segundo a Audi) e a velocidade máxima de 250km/h (limitada eletronicamente). Mas, para quem gosta de adrenalina, a Audi oferece um pacote opcional que permite atingir a máxima de 280 km/h. Algo, no mínimo, interessante.

Ainda tecnicamente, o A3 superesportivo recebe nova suspensão dianteira, assim como uma caixa de direção dedicada a ele. Outro recurso indispensável quando falamos em um Audi esportivo é o sistema de tração integral “quattro”, que se adapta às demais situações.

Em movimento

Na pista, a primeira volta com o hatch foi bem tranquila (para um autódromo) e sempre seguindo as intruções do piloto oficial da Audi que nos auxiliava do lado direito. Logo na saída dos boxes, colocamos à prova o Launch Control ou ‘Controle de Largada’.

O sistema funciona da seguinte forma: mantenha o pé esquerdo no pedal do freio e o direito no acelerador e ouça o giro do motor subir. Nesse momento, solte o pé do freio, mantenha o outro no acelerado e cole no banco. A arrancada é incrivelmente retilínea, onde a traseira não se move para os lados.

As primeiras curvas foram concluídas com sucesso, tangente para lá, tangente para cá e aos poucos vamos ganhando a confiança no carro e principalmente da pista.

Já na segunda volta começamos a ficar mais à vontade e as curvas também ficaram mais divertidas, destacando as qualidades do modelo como a aderência e estabilidade. Mas a adrenalina atinge o climáx em uma curva mais aberta que antecede a reta dos boxes. Nesse momento o piloto que nos guia autoriza pisar fundo e, claro, sem exitar, o pé cola o acelerador.

O kickdown é algo que surpreende pela rapidez de resposta saltando dos 140 para 180 km/h em poucos segundos. Daí em diante o velocímetro apenas sobe. Antes de freiar no ponto de referência indicado na pista, o carro registrava 198 km/h.

Audi TTS – “Insano” é a palavra

Visualmente, o cupê pouco difere em relação às configurações convencionais do TT. A grade dianteira ganha filetes com novo acabamento, retrovisores em alumínio e a inscrição TTS. A traseira é ainda mais discreta: além da inscrição que identifica a versão (ainda mais) esportiva, o para-choque adota um novo difusor de ar que dá o acabamento às quatro saídas de escape.

Por dentro, assim como no RS3, existem boas doses de esportividade. O primeiro elemento que se destaca no TTS são os bancos, com encostos de cabeça integrados, apoio lateral e revestimento em couro. O volante é multifuncional e tem base achatada, uma assinatura indispensável na proposta deste cupê.

Outro destaque no interior é o quadro de instrumentos batizado de “Audi Virtual Cockpit”, representado por uma tela de 12,3 polegadas de alta definição, que mostra todas as informações do veículo e ainda abriga a central multimídia e o GPS, podendo ser configurada de diferentes formas, conforme a preferência do motorista. O ar-condicionado tem os comandos dispostos nas saídas de ar centrais. O Audi Drive Select, por sua vez, permite que o motorista selecione até cinco modos diferentes para o modelo, que ajustam direção, transmissão, motor, suspensão e até o ronco de acordo com o perfil escolhido.

Quanto à motorização, o versátil 2.0 TFSi conta com 286 cv de potência e torque de 39 kgfm. Com tais especificações, o TTS atinge 0 a 100 km/h em 4,7 segundos e, assim como no RS3 Sportback, tem sua velocidade máxima limitada em 250km/h. De acordo com a Audi, esse novo motor não se destaca apenas pelo ótimo rendimento, mas também por sua eficiência – ou baixo consumo.

Para chegar a esses números, o motor recebeu novos cabeçote, injetor de óleo, comando de vávulas e turbina. Para fechar o pacote de novidades, o pequeno invocado conta com tração integral “quattro” permanente nas quatro rodas. O sistema distribui a força do motor entre os eixos conforme a necessidade dando maior aderência em situações diferentes de uso.

Na pista

É hora de conhecer o pequeno TTS na pista. O encaixe do corpo no banco é praticamente um convite à adrenalina. Andamos os primeiros metros e lá estamos, uma vez mais parados para experimentar o Launch Control. Além do ronco e de pequenas explosões de escape adicionais ao RS3, o sistema funciona com a mesma eficiência.

No TTS escolhemos o modo sequencial manual utilizando as aletas atrás do volante (andamos no RS3 no modo automático). Seja nas retas ou nas curvas é possível sentir o TTS bem rente ao chão. Isso deve-se o fato da suspensão estar cerca de 10 mm mais baixa que as demais versões do TT. Assim como no RS3 Sportback, o sistema “Quattro” garante que as curvas em alta velocidade sejam bem divertidas.

O câmbio S-Tronic do TTS realiza as trocas de marcha sem interrupções perceptíveis o que nos faz dar uma reduzida para lembrar que elas realmente estão lá. Quase no final do “passeio” o piloto aconselha realizarmos as trocas a 6500 rpm para tirar um maior rendimento do motor.

Na mesma curva que antecede a reta dos boxes e seguindo as instruções dadas, ouvimos uma pequena explosão na troca da quarta para quinta marcha. Entramos na reta dos boxes, mais uma explosão é ouvida e a sexta marcha é engatada. Atingimos a velocidade máxima de 245 km/h. Sim, depois do RS3 Sportback ter surpreendido, o TTS superou as expectativas.

O detalhe que deve ser destacado nos dois modelos é a tecnologia dos faróis Full Led. Lembrando que todo o trajeto em Interlagos foi feito à noite e embora a Audi tenha colocado alguns pontos de iluminação pelo circuito, o sistema de iluminação do carro fez disso algo totalmente dispensável.

Tanto o Audi RS3 Sportback quanto o Audi TTS mostram-se carros insanos dentro de Interlagos. Concluímos o trajeto em grande estilo, pode ser pela maior confiança que adquirimos no final de quatro voltas em Interlagos, mas também por saber que tivemos dois belos carros nas mãos. Enfim, será um rolê difícil de esquecer.

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