Texto: Ademir Pernias       Foto: iStockphoto

No universo do som automotivo, e do áudio em geral, a palavra “qualidade” está ligada a sistemas que tenham capacidade de reproduzir a música o mais próximo possível daquilo que foi gravado. Pode parecer simples, mas não é. Reproduzir, ou “tocar” o som da mesma forma, ou próximo daquilo que foi gravado não é tão simples, pois os detalhes de cada instrumento musical, das nuances de voz dos cantores e da espacialidade de palco (localização de cada instrumento na imagem acústica) é que são as dificuldades de se fazer um bom sistema de qualidade sonora dentro ou fora de um veículo. Este é o desafio dos profissionais que desenvolvem os produtos e os projetos de som.

Um sistema de alta qualidade sonora tem como característica básica o equilíbrio de intensidade entre todas as frequências. Assim, nenhuma faixa de frequências deve se destacar, e todas elas devem ser equivalentes. Para muitas pessoas este tipo de sistema se torna “sem graça”, pois os graves não se destacam em relação ao restante.

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Upgrades

Um sistema de alta qualidade, normalmente, é feito aos poucos. Podemos dizer que o sistema vai evoluindo junto com o ouvinte. O início mais comum é o uso de um kit componente (2 vias) na frente do veículo, um subwoofer, um amplificador de 4 canais e um CD player. Este é o início de todo sistema de qualidade. Daí para frente vai conforme o veículo, o gosto do proprietário e, principalmente, o quando se tem para gastar para fazer a mudança de uma fase para outra.

 

O início

Um CD ou DVD player com um bom pré-amplificador interno é a fonte de sinal mais indicada para um sistema que se possa chamar de hi-fi. O pré-amplificador é responsável por receber o sinal vindo da conversão digital para analógico, e prepará-lo para as saídas RCA. Um bom sistema vai gerar um sinal RCA acima de 2 Volts, com baixa impedância interna (em torno de 100 Ohms ou menos). Desta forma, o sinal que serve de base para os amplificadores será forte, limpo e livre de ruídos. De nada adianta ter excelentes alto-falantes e amplificadores se o sinal que eles recebem for ruim.

Uma boa unidade fonte (CD ou DVD) não precisa de processamento adicional. Pelo contrário, processamento demais pode prejudicar a qualidade do som, ao invés de melhorá-la. Em alguns casos é impossível resolver o assunto sem um processador, por exemplo, quando o rádio original não pode ser removido ou substituído. Mas, fora estes casos, o processador só deve entrar em cena em situações muito específicas, por exemplo, para acertar a curva de equalização em um carro que passe por testes de resposta RTA.

Quanto menos equipamentos você utilizar no sistema, melhor, pois isso diminui as possibilidades de ajustes incorretos. Além disto, quanto menos equipamentos, menor perda de sinal, menor ruído e menor distorção. Cada equipamento “copia” o sinal original recebido e depois passa adiante. Cada cópia perde um pouquinho da qualidade original. Portanto, no final de uma cadeia com cinco ou seis equipamentos, o resultado pode ser pior do que somente com um ou dois equipamentos. O ideal mesmo é: unidade fonte – amplificador – falante.

SEOUL, KOREA - SEPTEMBER 23, 2009: A full symphany orchestra plays music on a sidewalk near downtown traffic at a free summer night concert series on September 23, 2009 in Seoul, Korea

Treine os ouvidos

Outra questão importante é aprender a ouvir o som no carro, acostumar os ouvidos a identificar um sistema hi-fi. Para isso, siga os conselhos a seguir:

1) Ouça muito som acústico ao vivo (orquestra, voz/violão, concerto, etc), para acostumar o ouvido com o som natural, sem amplificação.

2) Calibre os ouvidos depois com um sistema top (top mesmo, não um “micro system”…). Este sistema custa mais caro do que um carro, é muito grande para a maioria das salas, mas você ficará de joelhos o dia em que puder ouvir um som como este. Geralmente você encontra algo assim em show-room de revendedores de equipamentos hi-fi residencial.

3) Ouça sempre as mesmas músicas em gravações originais no formato CDA (sem compressão, nada de MP3 ou WMA). Escolha dois ou três discos que aprecia e fique com eles sempre. Não dá para comparar ouvindo uma música diferente a cada vez.

4) Preste atenção na voz dos intérpretes. É mais fácil perceber problemas na voz, pois estamos acostumados a ouvir “ao vivo” o tempo todo. Coisas como excesso de agudo (“chhhhh”) são facilmente percebidas.

*Texto publicado na edição 173 da Car Stereo

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